TESTE DE COMPREENSÃO DE LEITURA

português brasileiro

NÍVEL 2


EXERcício. VOCÊ VAI LER o CONTO CURTO SOBROU PARA MIM E RESPONDER ÀS PERGUNTAS DO QUESTIONÁRIO abaixo.

SOBROU PARA MIM

Quando eu tinha uns 8 anos, mais ou menos, eu morava com  minha avó e com a irmã dela, tia Emília. Nossa rua era  sossegada, quase não passava carro nem caminhão. Eu ia à escola de manhã e de tarde eu fazia minhas lições e ia pra rua  brincar com meus amigos. Às cinco e meia em ponto minha avó me chamava para tomar banho e rezar, minha avó e minha tia  rezavam todas as tardes às seis horas. Depois do jantar ficávamos na sala, eu, lendo, minha avó e minha tia bordando ou costurando. Televisão a gente só via uma vez ou outra.  Minha avó me deixava ver jogos de futebol ou basquete, mas  tinha horror a novelas e a programas de auditório. Era chato de  matar! A luz era muito pouca, que a minha avó tinha mania de  fazer economia, ela dizia que não era sócia da light. Então eu  cansava de ler e ficava inventando outras coisas pra fazer. Eu  ficava desenhando, ficava enchendo os ós do jornal, brincava  com as minhas joaninhas…  

Uma vez eu amarrei um fio de linha na perna de um besouro e  quando ele voou, com o fio pendurado, minha tia levou o  maior susto. Uma outra vez, eu inventei uma coisa legal!  Enquanto minha avó e minha tia ficavam rezando, às seis  horas, eu amarrei um fio de linha na perna da cadeira de  balanço. Depois do jantar nós fomos para a sala. Então, de vez  em quando, eu puxava o fio e a cadeira dava uma  balançadinha. No começo elas não viram nada. Até que tia  Emília, muito assustada, chamou a atenção da vovó. – Ó,  Amélia – minha avó se chamava Amélia – Ó, Amélia, você não  viu a cadeira balançar?  

Minha avó não ligou muito. Mas tia Emília ficou de olho. Daí a  pouco ela cutucou minha avó:  

– Olha só, Amélia, ainda está balançando. Minha avó olhou e  ficou desconfiada. As duas se olharam e fizeram sinais para não  assustar o menino… Naquele dia, eu não mexi mais na cadeira.  Mas no dia seguinte, eu fiz tudo de novo, só a minha tia é que  viu a cadeira balançar. Ela estava apavorada! Então eu deixei  passar uns dois dias e de novo dei uma balançadinha na  cadeira. E dessa vez as duas velhas viram! Gente, que susto que  elas tomaram! Me agarraram pela mão e correram para o  oratório para rezar. Até aí eu estava me divertindo! Mas o que  eu não podia imaginar é que no dia seguinte, na hora em que  eu costumava ir para a rua brincar, minha avó me chamou, me  mandou tomar banho, me vestir e me levou para a igreja.  Nove segundas-feiras eu tive que ir à igreja com minha e  minha tia para rezar pelas almas do purgatório!

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Texto tirado com fins educativos de SOBROU PARA MIM de Ruth Rocha.